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O encaminhador compulsivo de e-mails acha-se a última fonte viva de informação do planeta. Ele precisa alertar, comunicar, mostrar a verdade dos bastidores, revelar o que não querem que você saiba.

Encaminhadores compulsivos de e-mail me irritam muito. Não é somente pelo spam em si, não é apenas pela perda de tempo infligida na minha vida, mas é principalmente pela subestimação da minha inteligência. Eles acham que preciso saber sobre a nova modalidade de assalto urbano em que um garoto joga no pára-brisa uma substância para derreter as borrachas do limpador, impedindo a visão do motorista e fazendo com que este seja forçado a parar alguns metros adiante para que assalto seja consumado. Como se não fosse muito mais fácil simplesmente encostar o cano na cabeça do cara e pedir pra que ele passe tudo. O encaminhador acha que o pai da modelo Daniela Sarahiba morreu de leptospirose ao beber cerveja em uma lata suja com urina de rato. Também acredita que rins são roubados com a mesma frequência com que são surrupiadas balas e chicletes nas Lojas Americanas. O problema do encaminhador é achar que eu sou tão burro quanto ele. Sério, isso é chato.

Hoje, recebi de vários remetentes, e-mails sobre as vaias que o presidente ganhou de presente numa tal abertura de alguma olimpíada estudantil por aí. Os encaminhadores “de direita” fizeram a festa: repassaram textos muito ruins de imbecis desconhecidos metidos a Diogo Mainardi. Já os compulsivos “de esquerda”, enviaram textos mais ou menos jornalísticos, totalmente comprometidos e conspiracionistas, inclusive apontando as possíveis cabeças que teriam articulado as vaias. Aquela típica mania de perseguição de estudante vestido com camisa do Che.

Os encaminhadores me acham tão burro que não cogitaram a possibilidade da minha opinião sobre o assunto já estar formada, aliás, eles nunca cogitam, se acham mais bem informados que todo mundo, são preguiçosos demais para ir atrás de informação relevante, não sabem separar joio do trigo e tampouco reconhecer uma boa fonte. Repassam qualquer porcaria que tenha o nome do Jabor ou do Veríssimo lá no final, mesmo que os autores na verdade sejam blogueiros semi-analfabetos de viés totalitário.

Mais grave do que boa parte das crises do país é a crise de senso crítico. Pior que, mesmo que vendessem senso crítico na banca da esquina, seria um fracasso comercial. Poucas pessoas estão dispostas a adquirir e, os que já o possuem, geralmente são discriminados por isso.

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