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Eu sou um leitor assíduo Wikipédia, especialmente sua página inicial. Gosto de ir clicando de link em link e ler as informações contidas no imenso banco de dados da enciclopédia livre que todos podem editar. Gosto de ver a lista de acontecimentos que marcaram determinada data em anos anteriores, bem como os aniversários e falecimentos do dia. No dia 17 de agosto foi aniversário do Mirosmar José de Camargo e se não fosse minha leitura diária da parte “Neste Dia…” eu passaria batido pela data natalícia do pai da neta do Francisco.

Sem querer querendo acabo aprendendo coisas que jamais imaginaria aprender. Eu descobri, por exemplo, que uma em cada dez pessoas do mundo é um camponês chinês. Ou seja, se você tem nove amigos e nenhum deles trabalha nas lavouras do terceiro maior país do mundo, então provavelmente você é um camponês chinês e ainda nem se deu conta disso. Também aprendi que há uma lei na Califórnia que proíbe carros sem motoristas a rodar a mais de 100 km/h.

De todas as relevantes informações fornecidas pela Wikipédia a que eu mais gostei foi a revelação de qual a maior palavra da língua portuguesa? Se você acha que é inconstitucionalissimamente está redondamente enganado. O advérbio, com 27 letras, que designa o mais alto grau de inconstitucionalidade ocupa a mísera sexta posição. A maior palavra de nosso idioma é pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, que define uma pessoa acometida por uma doença pulmonar causada pela aspiração de cinzas vulcânicas, tem 46 letras.

A primeira coisa que pensei ao ler essa palavra foi dizer para todo mundo que a tatuaria, em letras graúdas, no meu membro viril. O “palavrão” seria lido com toda a sua imponência durante o apogeu de uma ereção colossal. No entanto a tatuagem ficaria melhor se fosse grafada no feminino: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótica, pelo simples motivo de permitir um resumo compreensível em momentos de não excitação. Na hora da flacidêz peniana, da maior palavra da língua portuguesa seriam exibidas apenas a primeira e as três últimas letras: pica. Mais singelo impossível.

"Se vocês pensam que nós fumos embora
Nóis enganemos vocês!
Fingimos que fumos e vortemos
Ói nóis aqui trá veis!

Adoniram Barbosa